Sabes que te levaria aos cantos mais impressionantes de Lisboa. Mostrar-te-ia espaços onde te sentirias noutro mundo, sorririas só pelo espanto. Apresentar-te-ia a todos os meus amigos, e deixava-te com eles, porque tenho orgulho em ti e saberia que te receberiam bem. Cuidaria de ti com todo o carinho, brincaria com os teus vícios e disparates, mas todos esses pormenores me encheriam o coração. Punha-te a correr as ruas mais bonitas da cidade acima e atravessaríamos as ruas desertas a rir, com medo do carro que viesse lá ao fundo. Um dia vamos ser do clube deles, seremos seis e eu mais um.
domingo, 4 de dezembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Não tenho feitio para me zangar, para acusar quem me rasga por dentro, para insistir na maldade do destino. Lido com tudo isso dentro de mim, não sei cobrar, é comigo que me resolvo. Não insisto, não faço cenas sem fruto, vivo com o meu orgulho e depois de a luta chegar ao fim, recolho-me ao meu canto. Não deixo por isso de sentir os murros e os pontapés desprezantes, de rejeitar presenças, de me fazer perguntas sem resposta. Mas aceito.
Aceito tal como sei que um dia tu vais deixar de estar profundamente zangado comigo. Que vais entender que não há maldade nos gestos dos outros, que não há despeito. Sei que o tempo te vai ensinar a aceitar, a não odiar certas memórias, a aceitar que é melhor assim. Na verdade, já vais sabendo que é, porque os meses não enganam e a nostalgia acalma os ânimos. Não tenho pressa.
Tal como não tenho pressa em aceitar eu os meus remendos.
domingo, 23 de outubro de 2011
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Turnaround
É preciso saber tratar de nós mesmos. Temos direito ao luto, temos direito ao isolamento, à frustração. Somos nós que decidimos quanto tempo passamos tristes ou quando já chega. Quando já não é preciso mais. Independentemente do valor e do sentido do que nos pôs assim, temos de cuidar de nós próprios. No fundo, sabemos melhor que ninguém o que nos faz bem, o que nos vira ao mundo ao contrário e nos enche de energia, o que nos traz de novo sentido. Eu sou um bicho social. E conhecer pessoas, relacionar-me com elas, ouvir, rir, beber um copo, partilhar, faz-me sentir feliz, genuinamente. Travar relacionamentos novos ou antigos, adormecer tarde porque passei um dia diferente, ter sono porque não descanso o suficiente, ter planos impensáveis. Isso faz-me adormecer a sorrir, por muito surreais que sejam as circunstâncias. Enche-me o coração e não preciso de mais nada. E traz a vontade de me explorar, agora que estou aparentemente renovada, às vezes exacerbadamente. Entro num novo equilíbrio, cheio de novos desafios e preparada para as novas descobertas. Volto a viver, portanto.
É que sabes quando acordas de manhã e de repente a dor de garganta passou?
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Porque 4ª feira é feriado
Hoje, que é segunda-feira, é segunda-feira.
Amanhã é terça, mas é sexta.
Quarta-feira é sábado de manhã e à noite é domingo.
Quinta é segunda-feira outra vez.
E sexta é a verdadeira sexta-feira.
Amanhã é terça, mas é sexta.
Quarta-feira é sábado de manhã e à noite é domingo.
Quinta é segunda-feira outra vez.
E sexta é a verdadeira sexta-feira.
domingo, 2 de outubro de 2011
Trabalhar
Gosto de ir trabalhar. Gosto de acordar de manhã, mesmo que ensonada e com a minha cama a chamar por mim, e ir trabalhar. Ir de encontro às pessoas com quem passo quase 10 horas dos meus dias, rir-me com elas, batalhar em conjunto, crescer ali. Gosto de ir trabalhar, essencialmente quando tenho que fazer nas 8 horas mínimas em que me querem lá. Gosto até quando fico até mais tarde, já de computador desligado, em conversas de fim de tarde, em brincadeiras, em relações que se vão desenrolando, que foram crescendo nestes últimos 10 meses de vida.
Gosto de ir trabalhar, porque me motiva, porque aprendo, porque dá sentido aos meus dias. Porque me afasta de alguns fantasmas, porque não me dá tempo para me perder - ainda que me deixe pouco tempo para me encontrar. Gosto do trabalho, do meu trabalho, daquelas pessoas que tornam os meus dias com sentido, com quem partilho frustrações, gargalhadas e cada um dos minutos em conjunto, com verdadeiro prazer.
Gosto tanto, ao ponto de ficar triste só de imaginar que, provavelmente, em breve, deixará de ser para ali que vou todas as manhãs; enfrentando o trânsito, a rotina, mas a usar o meu cartão para abrir a porta sempre com um sorriso por mais um dia daquela vida.
Tenho sorte.
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