quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Queria poder filmar-te com os olhos que te vejo,
para que te pudesse recordar como te vi,



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Escrevo e quero tropeçar nas sinapses, no ruído de fundo, ter os pés quentes do mimo, do café com leite na cama e do chocolate quente derretido que deixou o fumo no ar. Sei que a corda não morde, que a sofreguidão é saudável e dá força e vontade de correr e acima de tudo esperança num passado distante.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Querido Passadiço,


Esta semana que passou apaixonei-me ainda mais por ti. Foste ponte e união, foste memória das que enche a alma e nos teletransporta para uma essência que não se sente assim há muito porque é de outras terras e de outras vidas. Criaste reencontros, arrumaste almas e recordaste olhos nos olhos, paz, conversas que saltavam de assunto em tema sem voltar atrás e sem contar nada, porque se queria contar tudo. Em que se assimilou coisas, se perceberam razões, estivemos na mesma mas numa diferente, não éramos dois, éramos 3 ou 4 e no fundo não ganhou ninguém.

Meu Passadiço, trouxeste-me o prazer da casa cheia, da cozinha suja, da panela que não chega nem as cadeiras, mas a casa que cresce à medida do coração. És a minha casa de bonecas, onde as marionetas são de trapos, dos novos. Da energia positiva, do fim do medo, da paz, do sossego e do cansaço. Esta semana, querido Passadiço, deste mais sentido à vida por existires e teres tornado possível tantas outras existências, outras consciências de desrespeitos mas de não querer saber, porque dás mais vida à minha vida, aqui à porta da rua onde tudo acontece. Por ti, saí, fui e voltei. Apoiei, liguei e fomos companhia, quem diria. Obrigada por me fazeres unir mundos, por criares elos, por chamar a casa cada vez mais cada pedra da calçada preta que me leva até ti.

Querido Passadiço, és a razão por que estive tão feliz.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

2012-2013

Ainda vou a tempo?

2012 foi um ano dorido, um ano revoltoso, perdido, com pouco rumo e ilhas para descansar da trovoada.  Mas foi, por isso, um ano de descobertas, de conquistas e de mudanças. Das boas!

As viagens abriram-no em cheio. Quando o coração e o orgulho estavam feridos, Paris, Londres e Genève foram casa, foram rua, foram amigos de verdade. Perdi finalmente a embirrância que tinha com França, abracei a cidade, a língua (mais ou menos, muito menos. 6 anos não serviram para muito), os franceses, o turismo puro, o alternativo e as amigas do fundo da alma. Armei-me em chique e fomos passar o fim-de-semana a Londres, só porque sim. Em Genève deixei o cérebro gelar, vi amor e dedicação e sonhos conjuntos também.

Este ano no Plateau queimaram-me um olho, no Cais morri de tédio, em Alfama visitei uma casa pequena demais. Este ano vi a exposição do Vik Moniz e uma da Frida e um documentário sobre o Fernando Pessoa. Fui tão bem acolhida na Dureza de forma diferente, comi muito sushi e fui pouco ao cinema.

Tive um emprego novo. Difícil, depois do outro que me enchia as medidas. Difícil muitos dias, tantos. Devagarinho, quando os dias foram passando lentos e revoltosos, tornou-se mais fácil, mais interessante, mais apelativo. Mais responsável e importante. Foi reconhecido. Foi turbulento. Mas tem sido bom!

Tive muitas despedidas. Muitos amigos emigrantes que foram e voltaram e voltaram a partir. O pretexto é bom para jantares, lanches e pequenos-almoços. Mas já cansa...

Este ano fui ao Chapitô, fui à Feira da Ladra e fui pela primeira vez ao Carnaval de Torres, em que noites de excesso me pruriram a alma e voltei como nova. Fui ao Tuareg e ao primeiro churrasco do Técnico que se repetiu vezes sem conta com tanto carinho.

Fiz também parte das massas e uma noite, em vez de ir tomar café, levei as minhas amigas para o Media Markt para aproveitar descontos e ficámos mais de uma hora juntas na fila e rimo-nos muito e refilámos muito e ia quase havendo cena de pancadaria... Dancei muito este ano e fui-me embora sem pagar de um jantar de grupo (esqueci-me!).

Fingi que era pessoa de ginásio e paguei 10 meses em que usufruí pouco mais de 10 vezes. Gastei 40 euros num jantar. Fui ao Lx Market muitas vezes e tive a sorte de ter cá muitos dos verdadeiros amigos de Erasmus que têm visitas prometidas já para 2013.

Este ano fiz workshops. De prova de vinho e de poesia. Dediquei uns meses a um projecto apaixonante com as amigas que tem tudo para ir em frente um dia. E vi o projecto dos amigos mais sólido que nunca, com direito a um Fest que mudou parte do meu ano. Li mais do que nunca, graças ao metro e ao carro que passei a deixar em casa.

Descobri festas de aniversário abertas em Alfama, fui finalmente ao Indie e fui a todos os espaços do Outjazz. Tive um amor com tempo contado em que contei mais tempo do que previa e mais amor também. Fiz corridas de sofás, descobri recantos diferentes de Lisboa e gozei em pleno os Santos Populares.

Fui a Itália, à minha Bologna cada vez mais despida mas ainda assim com cheiro a casa, e à Pisa deles que me acolheu com uma Luminara deliciosa. Fiz asneiras e tive recaídas. Tive um fim-de-semana maravilhoso aquando do Summer Fest que soava apenas em música de fundo que soube a Amizade da verdade.

Fui a muitos concertos. Feist fez-me tremer por dentro, de tão intenso quer dela quer da companhia impensável com que estava. Bon Iver superou-se. O Alive teve um primeiro dia de loucura sem fim e de outros dois de confusão. E Ornatos fechou o ciclo e a porta. Fui à Casa de Pasto e ao Hotel Mundial e à Manifestação. E ao Mexefest que já é tradição.

2012 deu-me a viagem da minha vida até agora. Deu-me a Tailândia, o NapPark, os ingleses, Chiang Mai, Bangkok 3 vezes, a selva, o Sammy, Ko Tao, o balão dos desejos, pura felicidade na procura de mais e de mim e dos outros. O verdadeiro viver.

Em 2012 torci o pé e fiz um rally tascas. Fui mais vezes ao teatro. No final de 2012 desbloqueei o que era preciso. Lisboa pareceu só minha numa noite maximizada, arrumei homónimos e ponderei-se hipóteses caídas por terra. Saí de casa e vim viver para o centro da cidade num prédio de 200 anos sem elevador. Escrevi muito menos do que queria ter escrito.

2013 começou feliz. Começou com bons amigos, com carinho e paz no coração. Em 2013 falta uma coisa e meia. À meia-noite pedi desejos altruístas. E comecei o ano a alimentar os sem-abrigo. Não gosto de números ímpares, mas tenho confiança em 2013.

Quero continuar a ter visitas e a dar jantares, quero tirar mais fotografias, continuar a gozar a família maior. Quero escrever mais e ter mais paciência. Quero o óbvio, também.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mundo de Amor

"
- Este mundo não é um mundo de Amor.
- Pois não! Não é um mundo de Amor. Por isso é que temos que nos apaixonar, para fazer o nosso próprio mundo.
"

ncam

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Canção Grata

Por tudo o que me deste:
- Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
- Obrigado! Obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
- Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: - Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!

Carlos Queiroz, 1907

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

As ruas da cidade

Sabes que aquelas ruas são tuas? Todos os dias. Que estás ali em cada passo, mesmo que já ali não passes sequer. Tomaste conta dos caminhos que foram de outros, de memórias de gentes diferentes. É tudo teu, agora. Há demasiado tempo. Açabarcaste e abafaste o resto.

Dei-te aquelas ruas, na minha memória. Sempre que ali passo, sei que são tuas, que o território é alheio, já não é meu. Atravesso-as decidida. O que me incomoda é que gosto de cada passeio, de cada canto, de cada lugar que não chegou a ser por falta de tempo. Gosto de cada folha caída perdida no chão e do semáforo avariado. Não consigo não gostar, não passear por ali, não relembrar.

Até quando?

Sabes que a vejo muitas vezes? Aquele nariz e os lábios que não se abrem. Vejo-a no metro, nas passadeiras, nas escadas rolantes. E estremeço. Porque ela não sabe sorrir. E tu, por isso, também não o fazes. Para encontrarem alguma sintonia que seja no meio desse nada.

Hoje devorei as tuas ruas. Só as ao longe, claro. Mas esqueci-me de me lembrar de ti, enquanto me lembrava.

Tomaste conta desta cidade.
Porque isso é que tenho de me ir embora.

Deixo-te as chaves.