quinta-feira, 28 de novembro de 2013

É o fim de uma era

O Passadiço fez-me feliz. Foi o meu desafio no ano passado, foi o meu passo para o mundo dos crescidos, foi uma liberdade e uma concretização do que me chamava cá dentro. Rapidamente o chamei de casa, rapidamente me aninhei no meu quarto. Tive (e tenho) muito frio e desesperei de calor. Tive dias e noites sozinha e outros e outras com companhia. Cozinhei e deixei que cozinhassem para mim. Bebi água vinho e Ice Tea emprestado. Desesperei com as limpezas, mas depressa aprendi a não me preocupar. Mantive o meu canto arrumado, como só sei fazer.

O Passadiço inaugurou-se no Mexefest do ano passado. Frio, sem Internet e a perceber que vida nos ia oferecer. O Passadiço acaba no Mexefest deste ano, porque ciclos são ciclos. Já com a vida oferecida, com o sentimento de realização.

Hoje não estou nostálgica, como pensei estar. Talvez seja do frio, talvez não. Penso que é porque aceitei e anseio pela próxima fase. Porque o que me espera é maior ainda do que o Passadiço. Porque já fui aqui tudo o que poderia ser e não há mais sumo para retirar. 

Saio realizada, feliz. Muito feliz. Estou orgulhosa de mim e tão ansiosa, no bom sentido, pelo que aí vem. São certas decisões que toldam uma vida. A vinda para aqui foi uma delas. A saída também.

Até à próxima fase.
O Rio e 2014 esperam por mim. E eu tanto por eles!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Blackbird fly




All your life
You were only waiting for this moment to be free
Blackbird fly, blackbird fly

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Onde estás?

Estas saudades são diferentes das outras. Começam assim que o táxi faz a curva e eu deixo de me portar bem e assumo a dor do coração. Estas saudades são um desespero, controlado. São cá dentro em jeito de furacão. Por vezes resvala e a testa chega a franzir-se e os olhos querem deixar-se esvaziar. Mas resiste, porque não pode ser. E só a alma é que dói, evitando pensar no tempo que não passa. Onde estás?

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

a Caridade ficou reduzida a metade e ganhou um novo cheiro
o Sr. Gato deixou de aparecer para lhe dizer bom dia
eles foram embora
há quem o queira
e eu não sei qual é o plano

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

hoje o tempo parou.

Todos falam de emigrar e de como somos empurrados, sem escolha. Eu escolho não me pronunciar muito, porque eu quero ir desbravar o mundo. Não sentir-me emigrante, mas aventureira, a querer conhecer-me noutras cidades de outras línguas, de novas regras, de novos desafios.

Hoje descobri o que os pais sentem quando os filhos vão embora. Hoje descobri o que é gostar tanto de alguém que só se quer que esteja perto, debaixo do nosso olhar, e ter de deixá-lo ir. Ter de lhe dar o espaço de voo, de estar aqui sempre, mas de não o poder prender. De o querer ver livre de si, de o querer ver ultrapassar-se, do o que querer tão feliz. Mesmo que comigo aqui, a vê-lo só ao longe, quando o que eu queria era tê-lo debaixo do meu braço, o que eu queria era perder-me naquele abraço...

Hoje soube o que é ter o coração nas mãos. O coração em todo o lado, preso na garganta, a bater com força no peito, sempre tão presente. Hoje não esqueço nem um segundo, hoje quero saber tudo, quero estar no longe que ele está. Mesmo sabendo que está perto.

Hoje descobri o que é ser forte e deixá-lo ir, mesmo que o coração me doa, e incentivar com muita força. Hoje tenho a certeza do que é zelar pela felicidade alheia mais do que pela minha. Hoje posso chorar, mas sei que é por um bem maior e que vai correr tudo bem.

Porque temos o futuro todo à nossa frente.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Efeito Tchaikovsky

Os headphones saem da caixa amarela onde têm estado encerrados no último ano, o Youtube empresta um bocadinho da sua ciência, relembra-se a existência daquelas páginas todas que se enchiam de entranhas ao som dos CDs que tanto tempo habitaram naquele móvel com pó. Hoje joguei com o que tinha, com virtualidades. E o efeito foi quase o mesmo, mais intenso, mais invernoso, mas o mesmo. E os gatafunhos nasceram com batidas aceleradas. E muito, e muitos! E o efeito comprovou-se.