domingo, 10 de maio de 2015

Quente

O calor sai por cada poro, na pele inteira. O sol descobriu uma nova morada, espalhado por cada centímetro sensorial, expulsando a sua vida, quente, em cada distância, em cada toque intacto. 

sábado, 4 de abril de 2015

iPod.

Reapareceu-me o meu iPod. Com músicas que não são actualizadas há uns 5, 6 anos. E as memórias que me traz... Entrelaçadas nas letras, nos acordes, no coração que cavalga com a lembrança, com o que já foi, com todos os pormenores de uma vida que só faz sentido em mim, em cada acorde que me acorda, que recorda momentos, fases, tanto tanto. Há melhor coisa que relembrar o que nós fomos, com quem o sentimos, com quem o vivemos, como, com tanta tanta emoção. Era o fim do mundo, cada música era o fim do mundo, era o fôlego que se perdia, a mágoa, a paixão, de tudo tanto. Que maravilha poder rever este filme de mim, de tanta gente em mim, de mim tão eu, tão já não eu. A voz acorda, a guitarra, meu deus, que alegria ter descoberto este meu iPod e todos os que estão dentro dele ao estarem dentro de mim.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

E-mails.

Os e-mails tornaram-se em mensagens instantâneas, trocamos emails como quem troca uma mensagem ou um Whatsapp mais comprido. São rápidos, grátis e fáceis de escrever e enviar. Por isso esperamos respostas instantâneas também. Esperamos que quando pomos tudo de nós num e-mail cheio de motivação, vontade, crença e adrenalina, nos devolvam o e-mail com a mesma rapidez e emoção. Fazemos refresh, fechamos o e-mail e abrimos passados 10 minutos, para fingir ao universo que não estamos à espera de nada e que por isso nos pode fazer receber tão ansiadas palavras. Nada resulta. Há que esperar, como uma carta que demorava a chegar no antigamente...

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Sobre o amor.

O amor demora. Tarda. Vai e vem. E não é fácil, nem garantido. Há dias em que se mostra, outros em que é tímido atrás das nuvens de Primavera. Outros dias foge da rotina e escapa-se, porque não é isso que quer.

O amor dá trabalho. Requer luta, investimento, dedicação e carinho. Não gosta de ser deixado estar durante muito tempo, quer ser agitado, provocado. Porque senão aborrece-se e vai-se embora.

Antes disso há que reagir. Há que saber quando se tem de parar de barafustar, quando se tem de decidir se é para lutar ou não. E na verdade só é preciso parar, analisar, baixar defesas. Chorar se for preciso. Mas com determinação optar pela luta, pelo que agita, pela conquista de mais um milímetro a cada dia. Até que o amor se deixa confiar e volta sem dúvidas. Afinal de contas, é isso que queremos, é por isso que lutamos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Gosto de vocês.

Gostava de poder dizer a todos os meus amigos, ou já não tão amigos, o quanto continuo a gostar deles. O quanto me preocupo que estejam felizes de verdade. Por isso lhes pergunto como estão, por isso lhes digo que os verei em breve. Por isso entro em conversas que soam estranhas por vezes, mas é que as relações muitas vezes não deixam que diga claramente que me preocupo, que quero do fundo do coração que sejam todos muito felizes. Por isso tenho vontade de me sentar durante horas, com aquela calma que já não existe, e saber deles, reconhecê-los por dentro. É que podem ter-me feito mal ou bem, mas guardo-os num canto especial, porque em tempos me fizeram muito feliz. E hoje sorrio por tudo isso.

Por vezes lamento termos de ter filtros. É que só quero mesmo fazer de tudo para que estejam bem, sem medos. Posso não saber já muito das suas vidas, não fazer grande parte delas. Mas quero que estejam sinceramente felizes. Porque gosto muito de vocês, porque vos tenho muito carinho.

sábado, 9 de agosto de 2014

Gràcia, I love you!


O momento chegou em que te escrevo a ti, meu bairro novo que me adoptou. Desconfiei-te, não nos demos confiança, julguei-te sempre minha preferida, mas não te tinha no coração. A culpa, eu sei, foi minha. Não só. Mas durante uns tempos não deixaste que não me sentisse sozinha, o carinho por ti foi pouco. Apenas estavas. Estavas sempre, sem carinho demonstrado. Saltando de casas, desvendei as tuas ruas, as que mais gosto, as que me trazem vida e me fazem querer passear em ti. Fui-te descobrindo, o encanto teu que sempre soube que tiveras. Hoje é diferente. Hoje, hoje mesmo, és a Barcelona que quero, nas tuas ruas e nas varandas vistas do meu quarto é onde quero passar o meu fim-de-semana. És bairro, finalmente. Aquele aconchego de quem chega, da loja a dois passos, de quem pertence. Hoje, hoje mesmo, quero tirar-te fotografias, recordar-te e guardar-te. Porque hoje mesmo sei que estás, como vizinhas do mesmo chão que é o teu, que leva os meus passos, que olham em redor. Hoje, hoje mesmo, apeteceu-me escrever-te. Para mim és a cidade onde vivo, és tu a minha Barcelona, és tu a Gràcia e a graça. És tu o fácil, o que ficará com sentido. Hoje, hoje mesmo escrevo-te com vontade.